terça-feira, 6 de novembro de 2012

Aquele beijo eterno

Era uma tarde de sábado chuvoso. Estava sozinho em casa, e preparava-me para um exame de análise de matemática. Na mesa, uma toalha de plástico a sebenta e folhas de A4 que roubei à impressora. Símbolos de integrais, equações, estudos de funções e outras tantas lógicas que aprendi a gostar.

No rádio, um som límpido, claro e bem executado foi invadindo a sala branca.A guitarra era minuciosa e prendia toda a atenção. Pousei o lápis, o sangue foi, pouco a pouco, preenchendo a pele que foi pressionada na madeira áspera.
Aumentei o som, encostei-me e deixei que aquele momento me tomasse por completo. A música era portuguesa, tinha Carlos Paredes lá dentro, tinha um baixo que poderia ter vindo da América. Estava em todo o lado (do que eu conhecia de música) e não a conseguia reduzir a um canto.
Este OVNI que pairava nos meus ouvidos era Dead Combo. Apenas Dead Combo.


quinta-feira, 17 de maio de 2012

Águas Mil

Parar para ver o pôr-de-sol na baía de Luanda era algo que sempre gostei de fazer. Muitas vezes foi sozinho que o fiz. Estava bem assim, a libertar a minha cabeça de pensamentos e apurar os sentidos. Deixar que a luz preenchesse a minha visão cansada, que os cheiros da atmosfera me acalmassem. Houve vezes que pensava nos meus pais, e imaginava os dois na mota do meu pai a caminho de um pôr-de-sol na fortaleza. Havia as outras vezes que me sentia dividido entre o que eu queria fazer e o que estava a acontecer: não estava sozinho, tinha que interromper o silêncio com palavras que tinham de ser proferidas. Foi numa destas ocasiões que conheci alguém que viveu bem Angola. O sol colocou-se atrás do monte que culmina com a um reminiscência do colonialismo, e os azuis do céu iam-se misturando com o que estava à mão. Respeitamos o momento em silêncio e no fim: "Tudo porreiro?"


Estamos a passar por Viana. É a primeira vez que passo por aqui, e apesar da estrada ser mais larga que as outras saídas de Luanda, o caos parece ainda maior. Dezenas de autocarros parados nas bermas a carregar e descarregar mercadorias e passageiros, passagens de peões que se transformam em autênticos pontos de venda, carros com a carroçaria desalinhada relativamente ao eixo das suas direções a criarem faixas a seu belo prazer. O céu cinzento está cinzento e eu não saí para isto: adormeço.


Já dentro do Kwanza Norte, e muito mais desperto, entramos numa paisagem montanhosa com arvóres que se penduram nas bermas da estrada. Subimos tanto que começo a sentir a pressão nos meus ouvidos. No rádio a Tracy Chapman vai contando histórias e nos cantamos com ela.  Vamos neste caminho durante algum tempo até passarmos por N'dalatando. Uma cidade cujo nome é: "a playful twist with the words killing". Quando se chamava Salazar, imagino que por aqui passavam camiões de fazendeiros, meninas a caminho do colégio das freiras, e marcava-se uma distância diferente de Luanda. Quantas vezes passou por aqui o meu avô? Saímos da cidade e continuamos para Kalandula.




A cidade é pequena. A bomba de gasolina, parada no tempo, e a esquadra marcam a entrada. Imagino que a procura deste local, pelas famosas quedas do Duque D'Ávila, faz com que homens deixem a sua terra natal e venham aqui procurar um emprego. Pioneiros do êxodo urbano vindouro em Angola, casarão com as mulheres desta terra e contarão histórias aos seus netos do tempo em que a vila apenas tinha dois hotéis. Os anos que trabalharão em Kalandula tornarão Angola num dos maiores destinos Africanos de turismos. Eu poderei contar aos meus que privei com um destes senhores por breves instantes, mas o que fará os meus olhos brilhar será dizer que trouxe um pouco da terra dele comigo.


Bem antes de chegarmos as cascatas parecia já sentir a frescura que podiam trazer à atmosfera quente. No fundo da minha visão vi traços brancos a contrastarem com o verde das copas das árvores. Brutal!  Estamos tão longe e já vemos, imagina só o tamanho. Lembrei-me de estar com a minha família no Maid of the Mist, protegido por um impermiavel azul e a apreciar as Niagara Falls. Ficamos sentados a sentir a força daquela paisagem imensa. Um arco-íris é desenhado repetidamente  pelo embate da corrente nas rochas. Ficamos mais um pouco. Fecho os olhos: inspiro. Os pensamentos que me ocupam a cabeça juntam-se à intensidade do som, até perderem-se.



Há uns miúdos que caminharam parte da manhã para chegar às cascatas - tenho saudades de andar pelas ruas da baixa como um turista perdido. Pequenos, mas já com responsabilidades para os irmãos e irmãs mais novas que embalam à noite. Vêem para mostrar aos pulas como se vai para as outras cascatas - Musselege. Queria sentar-me com ele na parte de trás de uma pick-up e entrar na sua vida através da palavra. Posso partilhar e colorir os seus sonhos, mas acho que também o iria corromper. Se voltar, quero ter o prazer de ter a sua companhia. As cascatas são bem perto, e ao chegarmos, está um grupo de brasileiros com angolanas. Passamos pelas linhas da música que vai tocando e pelo cheiro do churrasco que estão a preparar e caminhamos para a torrente de água. Parecemos caranguejos enquanto atravessamos as rochas escorregadias. Tiro a camisa e apresso-me para me meter debaixo da água. Nunca tinha sentido o peso de água doce a passar-me pelo corpo.


 Pelo trajeto de regresso vamos passando por sanzalas. Terra batida, poeira, e cubatas: Os mais velhos encostados às paredes das casas,  em cadeiras que a maioria dos europeus jamais conseguiria identificar. As mães tratam das roupas e olham pelos filhos. As crianças pedem bolachas e jogam à bola. A vida aqui é simples.Porque é que complicamos as coisas ?

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Gosto dos políticos deste país

Haja felicidade nas nossas vidas e nas pessoas que estão perto de nós, porque a mim cada vez mais escasseia a entidade de ser português. Sou apenas uma pessoa que tem uma família e amigos que quero ver bem. Perdi algures o sonho de ver Portugal nas noticias por boas razões já há algum tempo. Ainda ia acreditando quando aparecia uma noticia a dizer que uma empresa pequena, em tempo de crise, está bem graças à sua capacidade de inovação. Isso hoje é o caminho do cidadão do mundo, mais tarde ou mais cedo todas as empresas terão que o fazer.


Usamos todos livros novos nas escolas porque as editoras adicionaram um paragrafo as edições anteriores. Criamos 30-40 cursos para profissões que não tinham mercado e fomos buscar profissionais que não formamos. Não tivemos professores substitutos e podíamos ir jogar à bola. Nunca nos explicaram que trabalhar durante o verão ajuda a formar carácter e nos dá independência financeira. Sobrevalorizamos casas para poder comprar um mercedes quando mudamos de residência. Agora estamos sem opressão política mas sinto que não me faz diferença. Não conseguimos sair da casa dos nossos pais sem perder qualidade de vida (deixa lá o mercedes). Somos arquitectos, psicólogos, e enfermeiros, mas procuramos emprego fora de Portugal ou num centro comercial.

Passos coelho acabou de dizer na assembleia da república: O desemprego é a principal chaga social do país. (No shit sherlock) E chaga é uma palavra forte. No dicionário podemos ver que a palavra é utilizada para descrever uma dor moral. As dores tem sintomas, os sintomas tem causas e as causas tem resolução. Não foi algo que nos impuseram enquanto país. Foi algo que nós criamos enquanto nação. Gostava de ouvir das resoluções das causas, para acabar com os sintomas e deixar de ter uma dor moral.

É sexta-feira. Quero ir beber um copo com os meus amigos e não falar de política. Quero só sorrir.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

A direita aleatória

Era um verão que tínhamos prometido ir à descoberta. Não havia dinheiro para fazer a costa sul africana ou qualquer um dos trajetos do Endless Summer, e por isso, a Costa Vicentina era tão atraente como Jeffrey's Bay. Já tinhas os teus ídolos de surf, e eu apenas partilhava contigo a vontade de ir. Ir para longe do barulho.

- Sem auto-estradas!
- Claro! Nem a A2 até Setúbal fazemos, vamos por dentro.

O sol a brilhar sobre a prancha que escondia a tinta que já saltou, um banco de trás cheio de itens inventariados à pressão e um fogareiro que tínhamos comprado a meias. Não havia direitas nem esquerdas: nós os dois a estrada e umas músicas que nunca mais ouvimos juntos. Mar, muito mar. Maré cheia, maré baixa, mas sempre sonhadores. Acho que deixamos o fogareiro perdido na casa do teu avô.

Namibe: Alguém convence todo um grupo a fazer um caminho diferente para chegarmos a Benguela. Jipes com bidões para ultrapassar os 300 km sem gasolina. Gosto da ideia de fazermos um trajeto onde não há civilização, e começo a evangelizar a ideia. "É a diferença entre chegarmos a Benguela e irmos à praia, e chegarmos apenas à noite." Parecia uma boa razão, mas na realidade não fazia a mínima ideia. Deixamos a última cidade antes do deserto a sul de Angola. Isso chamava-se Moçamedes na nossa altura. Vou a conduzir e a discutir com o co-piloto se devíamos fazer a viagem a 90-100km/h. Vamos de vidros abertos e sem ar condicionado.

Abrandamos a velocidade e começamos a descer uma montanha que me pareceu interminável. Alguém no carro da frente colocou a mão de fora: como os miúdos fazem quando vão aborrecidos no carro com os pais. Olhar para as formas das nuvens enquanto o vento vai levantando e baixando a palma da mão em formas de ondas. Também meto a minha mão de fora, e reparo que todos os condutores fazem o mesmo. Aí ligamos-nos e misturamos com a viagem que estavamos a começar. Alguns quilómetros depois: o mar começa a desenhar-se por entre os montes verdes e tira a respiração. Quando recuperamos o fôlego, estamos de frente para um bloqueio de vacas e bois que não saem da estrada por nada. Peço direções para a cidade com gasolina, e passado alguns dedos de conversa já sei que é daqui a 50 kms - Lucira. Continuamos por uma localidade formada pelo o mar que entrou no vale, Bentiaba, tornando as margens férteis. As plantações fundem-se com as palmeiras e juntam um verde único que contrasta com a paisagem árida. Lembro-me do Nilo, não conheço, mas lembro-me do Nilo.

Deixamos a estrada nova, e não temos outra opção senão ir para a picada. Não era tanto gravilha como imaginava, mas sim arenosa. As rodas de trás vão deslizando, e vou corrigindo a direção para nos mantermos no caminho. A meio as decisões:

-Right or left?!
- Right
- Yes, definitely right.



Nenhum dos três sabe se a esquerda é assim tão diferente da direita, mas temos que fazer um caminho, por isso vamos concordando que aquela direita é que nos vai levar a Benguela. Não tínhamos mapa. Não precisamos de mapas para sermos felizes. O entardecer vai perdendo o fascínio e começa a ser invadido pela noite. As luzes vão indicando o caminho. Não tínhamos mapa, chegamos tarde, mas ficamos com o sentimento irrequieto de aventura dentro da nossa pele.


segunda-feira, 2 de abril de 2012

Raízes em Benguela

Se há sítio que faz parte dos meus sonhos de menino é Benguela: terra longínqua apenas alcançável pelas histórias que me contavam. Histórias dos homens do mar, sugados para longe do sítio que os viu nascer, das procissões religiosas que pautavam os encontros, e do trabalho que incutia a saudade e garantia que as suas famílias cresciam.



Palmeiras: um pontão de pesca de madeira sólida a romper a Baía. O sol reflecte-se no mar-chão como uma pintura que não pode ser criada. A maré parou porque os homens voltam do mar. É tempo de voltar ao conforto da comida preparada com antecipação e à suavidade dos lençóis da cama de fresco.

A serpentear pelas estacas de madeira, e a perturbar os raios de sol preguiçosos: um miúdo de calção e sapatos bem apertados corre num ritmo coordenado. Acordou bem cedo e pensa neste momento desde que se libertou do sono agarrado ao seu corpo. Corre a desbravar a cortina de luz apenas perturbado pelo brilhar estático dos olhos dos peixes. Lá no fundo de camisa axadrezada estão as costas largas que conhece tão bem. Salta e tenta agarrar-se à cintura que os seus braços não conseguem envolver completamente. O braço esquerdo reconhece o toque e coloca-se no ombro frágil. Pés no chão - e o ecoar dos passos começa a desaparecer. Os dedos grandes e achatados passam pelo cabelo curto do miúdo antes de o abraçar. Com o queixo encostado ao pescoço do pai, com apenas um olho aberto, o miúdo olha para o barco com admiração. Ainda não sabe, mas o instrumento de trabalho do pai, irá ser sempre parte da sua vida, e das vidas dentro da sua vida.

Estou de camisa e de calças de ganga coladas ao meu corpo do calor que faz. Subo o muro de um edifício que desenha um porta aviões na areia da Praia Morena e sento-me. Para trás deixo umas duas horas de espera por um jantar culminado em
whisky velho. Fecho os olhos e fico a ouvir as ondas do mar. Gostava que, por momentos, toda história deste sítio me fosse revelado para eu poder contar as histórias que imaginei, de forma fiel. Ligo-te para te dizer que estou na tua terra. Será que sabes que também é a minha terra ? Vou-te contado a visita de uns expatriados que passam por aqui à procura de aventura. Eu também sou um deles. Lá no fundo vejo a tempestade. Calma, longínqua. A brisa vai entrando pelas brechas da minha camisa, e tento explicar-te o quanto a minha mente não consegue racionalizar o que o meu corpo sente. Claro que tu sabes que também é a minha terra! Foste tu que me deste.

Uns verões depois, um sabor amargo de abandono depois, e um reescrever de histórias de felicidade depois: Estou eu. A correr pela calçada protegido pelo muro da ria. Era pequeno, mas ainda me lembro da cor da luz a romper as árvores do jardim. O meu avô caminha atrás de mim, devagar com as mãos dentro do casaco. Caminha sem pressa e eu mantenho-me perto dele, fazendo círculos à volta do seu percurso. Das formas perfeitas, vejo o pontão de cimento, e faço uma diagonal a cortar os muros de tijolo vermelho. Entre os corrimões de metal as minhas mãos agarram uma escota branca e puxo-a com o corpo inclinado para trás. Descubro a sensação de mover algo grande e mantê-la, de forma constante, perto de mim. O meu avô (na altura era só meu), endireitou-me as costas aproximou-se da minha cabeça:

- Sabes porquê é que o barco volta para trás quando largas a corda ?
- Porquê?
- A corrente puxa-o para o sítio.

Era demasiado novo para perceber, que na vida, há uma altura em que a corrente nos coloca no sítio certo.

Largaste a corda e a corrente levou-te. Levou-te a ti, mas deixou a tua força comigo e nas vidas que criarei dentro da minha vida. Levou-te a ti, num fim de tarde laranja com palmeiras plantadas na calçada do paredão, mas gravou-te na minha vida e nas vidas que crias-te dentro da tua vida. Eu prometo agarrar a corda, para manter o que é importante perto. Eu prometo agarrar a corda, para nunca te esquecer. Eu prometo agarrar a corda, para celebrar as vidas dentro da tua vida.



segunda-feira, 26 de março de 2012

Terra vermelha molhada


Quando chegava a Angola gostava de baixar sempre o meu vidro e sentir os cheiros que se espalham pela capital caótica. Dióxido de carbono ou lixo, não dava para ser muito seletivo, mas a ideia de ser cativado por uma realidade diferente tornava isto agradável . Vi uma vez num documentário um americano a descrever são paulo através do cheiro que se descobre de janela aberta, e agora percebo-o perfeitamente. Devias experimentar sentir uma terra assim.

Desta vez quando cheguei apanhei (para variar) um trânsito interminável. É importante que percebas que este trânsito não é organizado. Não é uma A2 com um sentido de trânsito e faixas ordenadas, com pessoas com o sindrome de má disposição matinal e o músculo da tíbia tenso de tanto usar a embraiagem. É caótico: carros em sentidos proibidos, candongas em manobras evasivas por linhas que só eles conhecem, buracos (crateras!) que rompem as estradas. Pessoas: pessoas a vender de tão parado que o trânsito está. Pessoas a comprar para rentabilizar o tempo que passam enfiados num carro, antecipando compras e fugindo a filas de supermercado. Já consegui numa hora e meio de trânsito comprar bananas, um carregador para telemóvel, cheirinho para o carro e um ananás. Diz-me em que estrada Portuguesa, conseguimos obter tal leque de produtos ?

Quando não há nada para comprar, o melhor é procurar uma distração. Ouvir música, falar com a pessoa que está ao nosso lado sobre as diferenças entre a pequena ex-metrópole e a gigante ex-colónia (são ambas "ex" porque hoje o conjunto de características que partilhamos resumem-se à paixão pelo futebol e à língua). Quando não me apetece fazer nada disto, gosto de esquecer que estou no meio desta confusão toda. Acendo um cigarro, encosto-me para trás e aprecio o que está a acontecer como se fosse um pássaro a sobrevoar sobre aquilo tudo.

Desta vez não pude acender um cigarro, por cortesia às restantes pessoas que estavam no carro. O relógio começou a escorregar do meu pulso e tirei-o para dentro da mala que tinha à frente. Quando baixei o vidro senti-me sufocado. O cheiro incrível que me tinham deixado no corpo foi substituído pelo suor que o calor provocava.

Os meus pais disseram-me durante anos que o cheiro da terra vermelha molhada é memorável. E para eles, isso é uma verdade absoluta porque, desde que me lembro, é assim que me descrevem Angola. Nunca encontrei essa imagem romântica que parece estar nos seio da memória dos meus pais. Cada vez que tento viver essa sensação como eles a descrevem, os milhares de carros da cidade deturpam qualquer hipótese de me aproximar desse momento. Que frustrante!

Luanda encanta, mas também cansa.

Quando sais da cidade e sentes o cheiro de savanas intermináveis a invadir-te o olfacto, sentes um verdadeiro sentido de descoberta. Quando vês uma trovada à distância que dentro de minutos ilumina o teu trajeto como nunca imaginaste, sentes-te aventureiro.
Quando vês uma mulemba com o seu tronco desproporcionado para os ramos frágeis que ostentam a múkua (esse fruto áspero e amargo), sentes-te deslocado. As rectas intermináveis que te levam aos sítios que visitas enquanto estrangeiro desta realidade, apelam à tua sede de grandeza. E eu gosto de sentir-me assim. Livre: uma pequena partícula num enredo mágico. Mas nada, absolutamente nada que me leve perto do cheiro da terra vermelha molhada, gravada eternamente na memória dos meus pais.