terça-feira, 6 de novembro de 2012

Aquele beijo eterno

Era uma tarde de sábado chuvoso. Estava sozinho em casa, e preparava-me para um exame de análise de matemática. Na mesa, uma toalha de plástico a sebenta e folhas de A4 que roubei à impressora. Símbolos de integrais, equações, estudos de funções e outras tantas lógicas que aprendi a gostar.

No rádio, um som límpido, claro e bem executado foi invadindo a sala branca.A guitarra era minuciosa e prendia toda a atenção. Pousei o lápis, o sangue foi, pouco a pouco, preenchendo a pele que foi pressionada na madeira áspera.
Aumentei o som, encostei-me e deixei que aquele momento me tomasse por completo. A música era portuguesa, tinha Carlos Paredes lá dentro, tinha um baixo que poderia ter vindo da América. Estava em todo o lado (do que eu conhecia de música) e não a conseguia reduzir a um canto.
Este OVNI que pairava nos meus ouvidos era Dead Combo. Apenas Dead Combo.


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