sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A despedida

Era Fevereiro e o sol brilhava. Estava sentado num café, e tinha que decidir se podia abandonar o que tinha por uma aventura, uma descoberta. O cigarro queimava sozinho e a minha frente ideias viajavam como um comboio. Desenfreadas, sem ordem e sem permissão para invadirem a minha cabeça.Gostava de saber se as outras pessoas também são assaltadas desta maneira: conduzidas pelas ideias. Parece que estou a tentar dormir antes dos dias importante: os que marcaram a minha vida. O primeiro dia antes da preparatória, onde entre os preocupações do que iria vestir no dia seguinte se misturavam com glórias antecipadas com a miúda mais linda das escola. O primeiro dia antes da faculdade, onde todo um mundo havia para explorar, e sentimento de imortalidade existia cegamente.

A mala está feita e contém a minha vida lá dentro. A roupa apressada, medicamentos para doenças que sempre me foram estrangeiras, anti-corpos a fluírem no sangue para males que possam vir. O fato de banho e chinelos para os tempos de folia que se avizinham.Tenho o meu pai, e a minha mãe com um nó na garganta à minha frente. Eu não o vejo, mas preenche a nossa sala. Os primeiros abraços e beijos da despedida começam. As palmas das mãos da minha mãe preenchem o topo das minhas costas, e eu abraço-a com mais força. Ainda não percebi que me vou embora, mas eles já sabem, já sentem. Vou para o aeroporto de Lisboa com o meu pai. O meu pai que sempre entrou comigo nas novas fases da minha vida, vai ficar desta vez. Vou ter de ir sozinho. Houve alturas na sua vida que também o terá feito. Contra o seu pai, à procura da sua vida. Agora sou eu, vou ter de ir sozinho. Vou à tua procura.

No momento que nos deixamos de ver olho à volta e vejo inúmeros abraços que marcam a despedida. As pessoas que vão, e a saudades que deixam naqueles que lhes querem mais. Lágrimas, choros, e risos, e só agora é que o que estava a acontecer se instalou dentro de mim - ia para a terra dos meus pais e das raízes que sempre foram minhas também. A despedida - palavra essa que tão terminal, e tão definitiva. Marca o fim, o inicio  e o entretanto que nos fazem - A despedida.


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